Coluna do Arisi
A Rua da Praia iluminada pelos coloridos letreiros à neon, nas fachadas dos cinemas. Os cafés cheios e as vitrinas acesas, até a meia noite, além de dezenas de cinemas de bairro, movimentavam a noite da capital dos gaúchos notívagos. Planeta perdido nos anos das décadas de 50, 60 e 70, quando o centro tinha vida à noite. Mas havia vida, ainda mais agitada, nas casas noturnas da cidade, que não dormia. Havia o surrealista Clube da Chave, do Ovídio Chaves, na Rua Castro Alves, esquina com a Mariante, que recebia a nata intelectual da cidade e visitantes literários do centro do país, entre 1953 e 56. Depois se mudou para a Avenida Getúlio Vargas. Fui ao Clube da Chave, com meu amigo Fausto Wolff, numa noite em que o pessoal do teatro gaúcho lotou a casa: Paulo José, Ítala Nandi, Fernando Peixoto, Paulo César Pereio e todo o elenco do Equipe. O jornalista Marcello Campos contou a história do Clube da Chave, no Jornal do Comércio, lembrando que, de Érico Veríssimo e Mário Quintana à Manoel Bandeira e Carlos Drumond de Andrade, e os cantores Agostinho dos Santos, Ivon Cury e até o João Gilberto, estiveram no Clube do Ovídio Chaves. O João Gilberto cantava na boite Farolito, na Rua da Praia, em 1955, trazido pelo Luis Telles. Nossa boite favorita, nos “Anos Dourados”, da década de 1950, era o “Crazy Rabbit”, do Heitor Azevedo, na rua Garibaldi, esquina com Independência. Uma inesquecível e maravilhosa loucura! Os bailes do Clube do Comércio, da Leopoldina Juvenil, da Reitoria e os inesquecíveis, grandes Bailes Municipal de Carnaval, na Sogipa. E as boites, como o Encouraçado Butikin, o Le Club, a boite do Clube do Comércio, na sede esportiva da Avenida Bastian, quando o Luís Carlos Fortuna era diretor social do clube, marcaram época. Apresentei um histórico “Concurso das Panteras”, no Encouraçado Butikin, em 1987, presentes os chefões da Globo, RBS, e até o Ricardo Amaral, “rei da noite carioca”, como jurado. Quase fui para New York, onde ele era dono do “Clube A” na 60th street, 333. Seu “Hippopotamus” foi o melhor night club do Rio e do Brasil, na década de1970, a melhor “década da noite”, no mundo todo. Sinto muitas saudades das noites estreladas de Porto Alegre, de tempos mais alegres e festivos. À noite sonhamos acordados e vivemos os melhores momentos de nossas vidas.




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