Coluna do Arisi
Desde a chegada dela em minha rua, eu sabia que aquele bela jovem era uma mulher única. Haviam mistérios indecifráveis e segredos escondidos em seu triste olhar e seus delicados gestos. Usei meus melhores truques para me aproximar e conquistar sua amizade. Se fosse há 30 anos, eu teria me apaixonado e tentaria conquistar aquela deusa extemporânea. Então minha paixão foi mais em tentar compreender quem era aquela magnífica mulher. Ficamos amigos e revelamos nossas decepções amorosas, nossas fantasias, as loucuras já vividas e as projetadas para o futuro. Foi quando ela me disse que terminara um caso difícil e queria entrar o ano novo despida das lembranças de amores passados. Não foi surpresa para mim quando ela me disse que entraria nua no ano novo, deixando memórias e tudo que lembrasse o passado. Pensei que fosse uma metáfora, aquele desvestir-se de tudo. À meia-noite em ponto, ela saiu na varanda, tirou o vestido, as peças intimas de sua fina lingerie e ficou inteiramente nua, para delírio dos marmanjos e até de outras mulheres naquela noite de ano novo, num surpreendente ato cinematográfico, ao vivo e a cores. A linda e jovem mulher morou por apenas um ano no apartamento do terceiro andar, naquele edifício, numa rua central de Porto Alegre. O show de striptease foi o assunto principal do início daquele ano. Todo mundo queria saber quem era a moça e o motivo para ela ter ficado pelada, na varanda, na virada do ano. Um despojar literal de tudo, um ato de rebeldia, uma declaração, um gesto de liberdade. Diana, a linda jovem nua de minha rua, desnudou-se do passado, de um sentimento, de uma vida sem sentido. Despiu-se das vestes, para renascer, em novo ano, uma nova vida, neste e nos próximos anos, vestida apenas com as verdes esperanças de todos nós. Neste Rèveillon ela renovará seu ritual, entrando nua em 2024, como todos nascemos e tentamos renascer, a cada entrada de novo ano.
Feliz 2024 ! 



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