Coluna do Arisi
Um Presidente da República deixou a vida para entrar para a História. Em 24 de agosto de 1954, numa manhã que ficou marcada para sempre em minha memória. Lembro de tudo como se fosse agora. Meu pai com o rádio ligado, na cabeceira da cama, e minha mãe chorando. Me chamaram para dar a noticia, enquanto eu tomava café. Imediatamente saí em direcção à rua da Praia. Ao chegar à esquina da Caldas Jr. já me deparei com um grupo gritando na frente da sede da UDN, ao lado do Grande Hotel. Arrombaram a porta e começou a depredação total, jogando tudo pelas janelas. Um grande quadro sai carregado pela porta e vai sendo levado até o Grande Hotel. Era o retrato pintado a óleo do general Flores da Cunha, a ser entregue para ele, que morava no Hotel, onde eu sempre o cumprimentava, sentado numa cadeira Ratan. O grupo foi aumentando e seguiu até a sede do Diário de Notícias, de Assis Chateaubriand, onde agora é a Galeria Di Primio Beck, que foi empastelado. A turba, cada vez mais furiosa, foi quebrando vitrines das Lojas Americanas e tudo que se referisse aos Estados Unidos ou a UDN, o PL e o PRP, os partidos de direita. Na avenida Borges de Medeiros foram até a Rádio Farroupilha, na esquina com a Duque de Caxias, depredaram e incendiaram o prédio. Nenhum policial civil ou militar apareceu em momento algum. Só no fim daquele trágico dia, Porto Alegre e o Brasil pararam para pensar no que realmente tinha acontecido lá no Palácio do Catete, no Rio de Janeiro, em que o político mais importante de nossa História tinha cometido suicídio.
Para não ser deposto preferiu morrer.
Deixe um comentário