Coluna do Arisi
Apaixonado por cinema desde criança, foi com Paulo Fontoura Gastal, no Clube de Cinema, como seu amigo e discípulo, que eu passei e distinguir o cinema entretenimento do cinema arte. Anos de convivência e aprendizado. Levávamos as latas com clássicos do cinema, da redação o Correio do Povo, até a antiga sede do Banco Agrícola Mercantil, do Dr.Egydio Michaelsen, atual Edifício Santa Cruz, na Rua da Praia. Nas sessões de sábado, em cinemas variados, vimos grandes obras da História do Cinema, como o “Rashomon” de Akira Kurosawa e “Juventude” de Ingmar Bergman. “Rio 40°” teve sua estréia mundial, no Cinema Imperial, em 1954. O Nelson Pereira dos Santos, sentado entre o Gastal e eu. Um dia inesquecível da História do Cinema Brasileiro. Roberto Farias trouxe “O Assalto ao Trem Pagador” para ser visto no Clube de Cinema e ficamos amigos para sempre. Fizemos até coquetel após a estréia de “O Pagador de Promessas”, do Anselmo Duarte, na sede da ARI, onde tínhamos a biblioteca do Clube, eu de bibliotecário. Numa tarde levamos o mestre Aldo Tonti, diretor de fotografia de filmes de Fellini, até a praça da Prefeitura, para medir a luminosidade no centro de Porto Alegre, para locação de um filme italiano a ser realizado aqui. Éramos cicerones para assuntos de cinema. Levamos o Nelson até a Praça da Matriz, em 1954. Em 59, eu era colunista da sucursal do Diário Carioca. Ao entrar na redação, lá estava o Nelson Pereira dos Santos, que me chamou pelo nome. Surpreso, perguntei como ele se lembrava de mim, 5 anos após a estréia de “Rio 40°”. Ele me informou que me lia sempre, por que era copydesk do Diário Carioca! Um grande cineasta tinha que trabalhar em jornal. Morreu como imortal da Academia Brasileira de Letras. Passei uma tarde no estúdio da Ipanema Filmes, do Roberto Farias, no Rio de Janeiro, em 1969, dando palpites na montagem de “Roberto Carlos em Ritmo de Aventura”, na cena do helicóptero passando no túnel. Aqueles tempos de Clube de Cinema foram os mais felizes de minha vida.
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