Coluna do Arisi
ÀS ÁRVORES
Quando era criança, na casa de minha avó, eu passava horas em cima das árvores, falando com elas e comigo mesmo, brigando com insetos que corriam pelos galhos e atacavam as frutas do pé de cáqui, que eu comia e me lambuzava. Agora, passados 80 anos, continuo preferindo falar com as árvores a ouvir os outros falando de outros. Nunca me interessei pela vida dos outros. Prefiro ler livros sobre idéias, do que livros sobre pessoas, inventadas ou não. Cansei dos humanos. Prefiro falar com árvores e pássaros. A natureza, odiada pelo progresso, foi sempre minha amante favorita e sou seu fiel companheiro. É um natural amor familiar. Nunca abandonei o jardim da infância, que não frequentei, em escolas, por ter outros atrapalhando o panorama. Meu Eden é um paraíso aberto e democrático em que são bem-vindas todas as árvores e todas as flores.

As opiniões contidas nesta coluna são de responsabilidade de seu titular e não refletem necessariamente a opinião do Fumetta.
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