Coluna do Arisi

ANA BEATRIZ DO BRASIL

Era uma vez, uma menina de 13 anos, moradora na Ilha do Governador, Rio de Janeiro, que foi atingida por uma das fatídicas “balas perdidas”, de fuzil, em mais um tiroteio entre polícia e traficantes, na rotina do estado, em 13 de junho de 2024. A bala entrou nas costas e atingiu vários órgãos de sua barriga. Inacreditavelmente Ana Beatriz sobreviveu após duas operações. Uma de 4 horas no Hospital Evandro Freire, em Niterói. Ela perdeu o baço, o rim esquerdo, parte do intestino grosso, parte do estômago e a base do pulmão. Depois foi transferida para o Hospital Souza Aguiar, sob os cuidados do médico Edmo Dutra Franco. Fez nova operação, ficando internada por 72 dias. Magrinha, simples, humilde e trabalhadora, Ana Beatriz passou estes dois meses e 12 dias internada, fazendo terços e pulseiras, com lindas contas coloridas. Sua incrível resistência física e mental e sua história de vida, resiliência e sobrevivência ao horror de viver no Rio de Janeiro, de todas as bandidagens, foi mostrada no Jornal Nacional da TV Globo, em 24 de agosto, para emoção geral do país. Que sua odisséia seja contada e relembrada, para não ser mais repetida por outras tantas crianças, como as mortas por balas perdidas, neste triste Brasil de tragédias anunciadas e repetidas ao infinito. Um beijo para você, querida Ana Beatriz, heroína do Brasil profundo.

paulo.arisi@gmail.com

As opiniões contidas nesta coluna são de responsabilidade de seu titular e não refletem necessariamente a opinião do Fumetta.


Deixe um comentário