Coluna do Arisi

Estava chovendo no fim da tarde fria em Porto Alegre e Ana Cláudia esperava seu Uber, inquieta, de celular na mão levantada para o carro que chegava, quando Marcos correu para um táxi, esbarrando em Ana Cláudia. Os braços se cruzaram no ar e os celulares de ambos caíram juntos na porta do carro do Uber. Marcos foi mais rápido e pegou os dois celulares, se desculpando, apesar da culpa ser mais de Ana Claudia, seus pacotes e sua pressa para entrar no carro. Marcos entrega o celular da Ana e corre para o táxi. A chuva e a confusão toda não impediram Ana de ver como era bonito o jovem do encontrão. Marcos gostaria de ter falado com aquela moça e saber ao menos seu nome. Agora ela já foi embora. Quem sabe em outra ocasião. Um carro dobrou na esquina da rua Caldas Junior para a 7 de setembro e o outro foi em direção à rua Siqueira Campos. Os dois enxugando seus celulares iguais, molhados e trocados, como logo descobriram. Uma confusão que renderia um novo capitulo em suas vidas, já cheias de vais e vens. 

Logo Marcos telefona para Ana Claudia, que já estava subindo para a rua Duque de Caxias.  “Estou com o seu celular e, naturalmente…” Ela esperou que Marcos fosse até onde ela estava, como haviam combinado.  Se desculparam mutuamente pelo imbróglio, motivado pela pressa e pela chuva. Marcos perguntou pelo nome dela. “Ana Cláudia Oliveira Martins”. Da familia do professor André Martins ?” “Meu pai”, responde Ana. Ele diz admira-lo muito. “Eu sou Marcos Almeida”. “Prazer e obrigado por trazer o celular”. “Então até a próxima…” e ambos riram e se despediram.  

O acaso determina  grandes mudanças na vida das pessoas. Alguns acham que é o destino. Já estava escrito nas estrelas. Outros, como Marcos, tem convicção de que a vida é uma loteria. Os fatos se sucedem ao sabor da realidade e dos acontecimentos. A vida é como um rio que flui naturalmente como as vicissitudes da vida. Ele ia casar com a Paula, sua namorada desde sempre, apesar de algumas recaídas, como aconteceu no Summit, com a Paula Freitas, sua colega de debates sobre o futuro da IA na política. Mas esta filha do Oliveira Martins mexeu com Marcos. Ele precisa conhecer melhor a jovem estabanada da chuva e dos celulares que os apresentou um para o outro, em rede social presencial. 

Um mês depois, Ana Cláudia, uma jovem jornalista, assessora de imprensa de uma multinacional foi a um coquetel no Hilton Porto Alegre. Ao sair deu de cara com Marcos, que saia do Shopping Moinhos de Vento. Pela reação de ambos dava para ver como ficaram satisfeitos com este novo e feliz encontro, sem esbarrão, chuva ou celulares no chão. E foi assim que começou um caso de amor ao primeiro encontrão, numa improvável  troca de celulares, nesta era digital em que tudo acontece tão rápido e ao mesmo tempo. Um ano depois eles se casaram, numa festa simples, com um bolo e dois celulares de chocolate e um coração de cerejas no meio, coisa da mãe dela, que os noivos acharam muito cafona, mas divertido, como uma noite de chuva e celulares trocados. 

paulo.arisi@gmail.com

As opiniões contidas nesta coluna são de responsabilidade de seu titular e não refletem necessariamente a opinião do Fumetta.


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