Coluna do Arisi

“SINATRA JOBIM”

Toca o telefone no Bar Veloso, em Ipanema, no Rio de Janeiro, numa tarde tranquila, em 1966. Um garçom atende o telefone. É alguém querendo falar com o Tom Jobim, que estava, com sua turma, sentado na mesa de sempre, tomando o chope de todas as tardes. O garçom avisa que a chamada é dos Estados Unidos. Alguém diz que deve ser um trote. Tom acha que, se a ligação é dos Estados Unidos, é cara, e não deve ser trote. Levanta e vai atender.

“Alô, é Tom”.  

“Hello, Tom ? It’s me Frank, Sinatra, yes !” 

“I want to sing ‘Girl from Ipanima’, your song, with you …” 

Sim, foi assim que aconteceu. E foi a glória para ambos. Um dos maiores sucessos musicais já gravados em disco e um dos vídeos mais vistos da História da Música. Em 1969, fui tomar um chope no Veloso, que, só anos mais tarde, mudou de nome para “Garota de Ipanema”. Tom Jobim não estava lá. Só a placa na parede: “Intelectual não vai à praia, bebe !”. Conheci o Tom Jobim, numa esquina da Vieira Souto, em seu conhecido Chevrolet conversível, quando veio pegar o Tarso de Castro, que conversava fiado comigo e com o Joaquim Ferreira dos Santos. O Tarso nos levou para lá, só para se exibir, para nós e para o Tom Jobim, nos idos do verão de 1970. Foi a época dos Festivais Internacionais da Canção, vencido em 1968, por Tom Jobim e Chico Buarque, com “Sabiá”, cantado por Cynara, Cybele, Tom e Chico, e vaiado por todo o Maracanãzinho. No de 1969, Henry Mancini abriu o Festival, com o tema do filme “Romeu e Julieta”. Eu estava lá e nunca vi nada tão espetacular. A era Tom Jobim foi os “Anos Dourados” da música brasileira, em todo o planeta. Ipanema era o centro musical do mundo. Um dia, um inglês sentou a meu lado, no “Cabral 1500”, no Arpoador, era Mick Jagger, com Marianne Faithful, em busca de inspiração…

paulo.arisi@gmail.com


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