Coluna do Arisi

Passei minha infância em cima de árvores, como na infância da humanidade. Nossa casa era rodeada de araucárias e árvores frutíferas. Eu ia no galinheiro pegar ovos para meu pai preparar o nosso “coquetel” diário, antes do meio dia. Uma gema de ovo num copo com uma dose de Vinho do Porto Adriano Ramos Pinto, bem batido. Eu tinha 5 anos. Nunca consegui quebrar um só osso, apesar dos muitos tombos espetaculares que já levei. Há 100 metros de nossa casa, no alto de uma colina, havia a Estação Férrea de Getúlio Vargas, onde eu brincava nas locomotivas. Eu amava vacas e locomotivas e os lirios brancos do nosso jardim, onde minha mãe plantava beijos, sim, uma flor chamada beijos. Tomava banho de rio e de lama, nas termas de Chapecó, nas barrancas de seu lindo rio, um pouco acima dele desaguar no grande rio Uruguai. As inesquecíveis férias de verão dos anos 40. O hotel de madeira, os peixes dourados, pescados de canoa, no rio mais limpo do mundo. O paraíso em terras de Santa Catarina. Passei minha infância num mundo muito distante, no tempo e na realidade, como num sonho do qual nunca acordei. Ainda moro lá, no fundo da memória afetiva, de dias bem mais felizes, no coração da natureza.

Foto: Reprodução TVE

paulo.arisi@gmail.com


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