Coluna do Arisi

 Fui a um baile, na Reitoria da Universidade Federal, em Porto Alegre, vi uma moça bonita, que não conhecia, tirei ela para dançar. Era a primeira vez que ela ia a um baile na UFRGS. Cinco anos depois eu casei com ela e tivemos três filhos e cinco netos. A questão em pauta é a seguinte: se ela não tivesse ido àquele baile; se eu não a visse e não dançasse com ela, nossas vidas seriam totalmente diferentes. Um dia, estive lá na Reitoria, com minha filha Bárbara e comentei com ela, que, se eu, ou a mãe dela, não tivesse ido àquele baile, ou não tivéssemos nos conhecido lá, naquela noite, ela, a Bárbara não teria nascido, não existiria. Os momentos decisivos de nossas vidas são aleatórios, inesperados, acontecem como consequência de gestos espontâneos, por simples impulsos momentâneos. Um simples olhar para outra pessoa. Uma ida a uma festa. Um passeio num parque. Uma ida a um cinema. Um esbarrar em alguém numa porta, podem mudar toda a existência de uma vida. Estes momentos mágicos, num hiato de tempo, naquele relance inesperado, darão todo o sentido à nossa efêmera aventura existencial neste mundo. Em “A Felicidade não se Compra” ( It’s a Wonderful Life ) de Frank Capra, esta questão é o cerne do clássico filme, no sentido mais amplo da existência humana.  

paulo.arisi@gmail.com


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