Coluna do Arisi
“O Leopardo”, de Giuseppe di Lampedusa, clássico da literatura italiana, foi filmado por Luchino Visconti, com Burt Lancaster, Alain Delon e Cláudia Cardinale, em 1963. Ganhou a Palma de Ouro do Festival de Cannes, entre outros prêmios. É um dos mais belos filmes da História do Cinema, contando a saga do “Risorgimento”, a unificação da Itália, em 1860, pela ação de Giuseppe Garibaldi, interpretado por Giuliano Gemma, consagrado nos “spaggetti”. O filme de185 minutos, em seu início, revela, numa das melhores cenas já filmadas, a decadência da nobreza, com toda a família do Príncipe de Salina, sentada no púlpito de uma igreja, com seus rostos cobertos de poeira. Outro momento clássico é o diálogo de Tancredi (Alain Delon) e Dom Fabrizio (Burt Lancaster), em que o sobrinho do Príncipe, explica porque aderiu à causa de Garibaldi: “Se quisermos que tudo continue como está, é preciso que tudo mude”. Frase que define a filosofia dos poderosos, para se manter no poder, adaptando-se às mudanças. O Príncipe Salina aprova, também, o casamento do sobrinho nobre com a plebéia Angélica, filha de um rico burguês. A convivência da aristocracia com a burguesia é o tema do espetacular baile, que ocupa metade do filme, em notável recriação de época. O Duque de Medrano, pai de Visconti, casou com a bilionária Carla Erba, filha do dono do Laboratorio Erba, como Tancredi, o nobre que casa com burguesa rica. Luchino Visconti, um aristocrata socialista, foi um dos mais brilhantes realizadores da sétima arte. No escudo da nobre familia do Príncipe de Salina, há um simbólico leopardo.

Deixe um comentário