Coluna do Arisi
Em Janeiro de 1986, meu amigo Sérgio Jockyman e seu filho André, lançaram um programa na TV Guaíba de Porto Alegre, e me convidaram para ser comentarista de política, entre vários excelentes colegas. Após duas décadas de total falta de liberdade de imprensa, meus comentários não poupavam ninguém e logo um órgão remanescente de censura, reclamou à direção da tevê. Escrevi uma carta direta ao Presidente da República, José Sarney, perguntando se a democracia havia sido restabelecida ou não. Aproveitei para recomendar a ele, que sofria de insônia, tomar “Dalmadorm”. Foi tiro e queda. Recebi dele um gentil cartão escrito à mão: “Ao Paulo Sérgio Arisi, agradeço a carta amável e a “receita”. Cordialmente, José Sarney, 22.2.86. Com grande satisfação e prazer mostrei o cartão, com o selo da Presidência da República, na tela da Televisão, surprendendo a colega Dilma Roussef, que seria Presidenta também. Conheci Getúlio Vargas, em 1950 e Juscelino Kubitschek, em 1957. Jânio Quadros em campanha, mão em meu ombro, contou como andava na boléia de caminhões em sua infância. Não fiz o CPOR, comandado pelo Cel. Emílio Medici, que, mão no meu ombro, me mandou servir no QG, já que eu era “peixinho” dos coronéis. Acabei segurança do Gen. Costa e Silva. Nunca poderia imaginar que aqueles tranquilos militares seriam os mais implacáveis generais da Ditadura Militar e que deporiam o Presidente João Goulart, um fazendeiro milionário, acusado de ser comunista, só por defender uma justa Reforma Agrária no Brasil dos latifúndios. Entrevistei Jango para o Diário Carioca, em 1962. Fiz campanha para o Fernando Henrique Cardoso. Tive a honra de conviver, em diferentes ocasiões, com o Doutor Tancredo Neves.
Guardo, com carinho e muito orgulho, o telegrama que recebi do mais notável político que a República do Brasil já conheceu em toda a sua História.



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